Entre tecnologias de gênero e da saúde: uma análise das campanhas preventivas de HPV e câncer no colo do útero de 2014 a 2020

Juliana Rodrigues Vieira & Marina Fisher Nucci et al. · 2024-05-08

Resumo Neste artigo analisamos as campanhas preventivas do câncer no colo do útero (CCU) e de vacinação de papilomavírus humano (HPV) desenvolvidas pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) do Ministério da Saúde, além de algumas campanhas produzidas por organizações não governamentais e instituições privadas, no intervalo de 2014 a 2020. À luz de um olhar socioantropológico, nosso objetivo é compreender como estas tecnologias de saúde acionam e produzem representações de gênero. Desenvolvemos sete categorias de análise (“Geracionalidade do cuidado”, “Escolarização”, “Infância e Juventude”, “Gamificação”, “Risco à saúde”, “Saúde do Homem” e “Neutralidade”) que nos permitiram discutir as temáticas que surgiram nas peças gráficas. Por meio da medicalização e monitoramento da saúde sexual e reprodutiva das mulheres, as campanhas evidenciam o que chamamos aqui de uma politização do útero, que mantém excessivo escrutínio do corpo feminino.